Sábado, 4 de Outubro de 2008

Pessoa amiga lança-me o repto: vá lá, toca a participar no blogue do PSD (sobre educação). Está bem, então.

Uma pessoa é amiga de outra pessoa – ou até de um animal, de uma pedra, de uma árvore vetusta, não esqueçamos as árvores – se tem por ela lembrança, modo de avivar o pensamento, ao despertar um lugar para si.
Uma pessoa é amiga de uma causa, de um feixe de ideias susceptível de ter um nome, seja educação seja viver, se há pontos no dia a dia em que esse designativo encaixe bem.
O campo educacional vê-se endemicamente atravessado por ondas e corpúsculos que, se nele têm intenção de iluminar o caminho, frequentemente o tornam feio, penoso a dobrar, difícil por que esvaziado de sentido, tal é o que espera quem o queira, possa ou deva percorrer, ao fim de cada ciclo ou fase. Com efeito, passadas claramente três décadas, um século clássico, em que liberdade ganhou corpo, o que vemos, o que sentimos, o que podemos esperar?
Manuais escolares – a preços de mercado, bem apresentados, infantilizando, frequentemente, os utilizadores, não dá vontade de os guardar por muito tempo, com raras excepções.
Tempos escolares – dimensionados pela bitola fabril, mal manejada por gente do sector terciário amputada na capacidade de decisão, com intervalos ora nobres ora escusados, sempre a fugirem da hora convencional de sessenta minutos (o ideal, um ovo de Colombo que ninguém agarra), tornam-se um pesadelo presente no dia a dia de um professor e de um estudante, porquanto têm momentos recorrentes de modorra ou de sufoco, parece que há aí papão ou um deus menor sem compaixão na alma.
Espaços escolares – é o tempo do deita abaixo, portas, paredes e parte dos tectos, para erguer a escola-brinquinho, particularmente nas proximidades do bairro em que traficantes de noite se passeiam, erguem os seus trunfos, tudo envidraçado, mais lúdico que lúcido, de certo ponto de vista bastante razoável, de fora.
Tempos profissionais – volta o tempo da jeira, do homem e, agora, também e às claras, da mulher oferecendo a sua força de trabalho, a recibo verde, a prestação de serviços, gente de licenciada a pós-doutorada que quer agarrar alguma coisa – senhores do capital estabilizado, por favor, tenho fome e, se não me esperam filhos em casa, é porque penso duas vezes, quero e não sei como, o carro, a casa, a fracção, está bem, habituámo-nos a viver acima do que nos estava destinado pelos recursos do país, e agora, oh magalhães dos pequeninos espalhando Coimbra-tem mais-encanto-na-hora-da-despedida.
Tempos familiares – há ainda bastas gerações vivas para quem é difícil conviver com novos ou velhos costumes, ou seja, a quem é difícil admitir um filho no aleixo, uma filha na vida dúbia, um neto perdido ou alienado por algo que não presta quase para nada, em termos de qualificação para a vida decente, intelectual e nobre, o vender gato por lebre, o comer como rafeiro do que é subproduto, a magna televisão frequentemente a anestesiar o que goze de boa saúde - para quê, para onde vamos?
Tempo de ideias – a mortandade no Trancão e noutros sub-rios escapuliu-se para o plano do que se nos oferece como síntese de um viver em sociedade: farrapos de ismos pairam no ar como novelos emaranhados, agarra que já não é ladrão, corta e cose, copy paste, vai em frente na missa laica. Somos ricos porque temos paz; somos pobres porque não sabemos o que fazer com ela.
 
Contributo enviado por: Carlos Sambade, Professor na Escola Secundária da Maia


publicado por GP/PSD às 23:22 | link do post | comentar

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