Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008

Ao longo dos três últimos anos, o Governo anunciou inúmeras reformas na Educação. Em inúmeras acções públicas tem-se afirmado bem sucedido. Será um sucesso real ou propaganda enganosa?

Comecemos pelo Ensino Pré-escolar.
Em 3 anos, apenas ouvi a Ministra avançar com a possibilidade de este ser transferido para a alçada das IPSS’s.
Enquanto isso, em 2007, 12% das crianças inscritas num Jardim de Infância Público não teve vaga (dados da Inspecção-Geral da Educação).
 72 mil crianças não frequentam nem o ensino público, nem o privado.
Creio que Ministra desconhece a importância do pré-escolar na predisposição da criança para o mundo do conhecimento, para não falar da relevância na sua socialização…
Aliás, julgo até que a Dra. Maria de Lurdes Rodrigues desconhece que o Pré-Escolar está entre as atribuições do seu Ministério.
No Ensino Profissionalizante, registo com agrado o aumento do número de vagas. Interrogo-me, porém: haverá salas de aulas preparadas para este exponencial aumento de cursos? Ou acharão na 5 de Outubro que cadeiras e mesas são o que basta para ministrar, por exemplo, um curso profissional de informática ou de mecânica?
Não se tendo verificado nos últimos anos profundas alterações nas infra-estruturas escolares, parece-me que (também aqui) este Governo trabalha apenas para falaciosas estatísticas.
Também no que toca à classe docente, a situação agudiza-se.
Se, inicialmente, assinalei como positiva a ideia de avaliar os professores, como defensora da meritocracia, já a forma adoptada me merece desconfiança e desagrado.
Seja por circunscrever, em termos de avaliação, a actividade de um docente aos últimos 7 anos, seja por preterir descaradamente a componente pedagógica em detrimento da componente dirigista, os critérios adoptados sugerem injustiça e suspeita.
As declarações da senhora Ministra em que, veladamente, acusa os docentes de laxismo e de falta de profissionalismo, desgastam e corroem a imagem dos professores. Não é, por isso, de estranhar que a relação professor/aluno se deteriore, e os casos de violência e de indisciplina se multipliquem. Perdeu-se o respeito, perdeu-se o pudor!        
A criação do Dia do Diploma, uma pomposa cerimónia de entrega de diplomas aos melhores alunos – que se repetiu por todo o país – indiciaria uma nova política de reconhecimento do mérito e de promoção de excelência e de rigor no Ensino. No entanto, sem demora concluímos que o Dia do Diploma é uma clara contradição ao facilitismo gritante de que este Governo faz profissão de fé.
Começando nos exames nacionais e acabando na abolição das provas globais no 9º ano (em que a Ministra diz almejar 100% de aprovações em 2010, na transição para o ensino secundário), passando pela avaliação dos professores em que um dos critérios é as notas dadas aos seus alunos.
Um ensino sem exigência será sempre causa de atraso de um povo. Era extremamente importante que o exemplo de exigência começasse no Conselho de Ministros. 
 
Contributo enviado por: Margarida Balseiro Lopes, d'O Sancho Pensa


publicado por GP/PSD às 14:15 | link do post | comentar

2 comentários:
De Alexandre a 6 de Outubro de 2008 às 23:31
Nunca vi a ME equacionar a passagem dos Jardins de Infância para as IPSS.

Poderá indicar onde viu/ouviu tal?


De Margarida Balseiro Lopes a 7 de Outubro de 2008 às 11:54
Numa entrevista à Sic Notícias.


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