Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

Em texto anterior, referia-me eu à desvalorização e ao esgotamento dos professores, em virtude das políticas e da postura do Ministério da Educação. Pois bem, lendo a edição de hoje – 08/10/2008 –, do Jornal de Notícias, ficamos a saber que, neste ano de 2008, já se reformaram quase quatro mil professores e educadores de infância! O mesmo jornal compara o mês de Setembro deste ano com o do ano anterior, concluindo que o número de aposentados mais do que duplicou: de 249 passou para 510! Muitas destas aposentações são aposentações antecipadas! Perante estes indicadores, o mesmo jornal conclui que, de duas uma: ou os professores estão a ficar mais velhos ou cansados. Uma vez que parece pouco crível que a população docente tenha envelhecido brutalmente e que muitos professores pedem a reforma antecipadamente, sujeitando-se às respectivas penalizações, a resposta mais provável é o seu cansaço, conclui ainda o mesmo jornal.

Com estes indicadores, estamos perante um sinal de alarme que não é possível ignorar! É também com isto que o Governo do partido dito socialista deverá ser seriamente confrontado na Assembleia da República e não só! Para onde estamos a caminhar? Para onde está a caminhar o sistema educativo português?
Há um outro indicador que é importante também não se perder de vista: está a diminuir o número de finalistas na via de ensino. Se compararmos o número de finalistas no anterior concurso de docentes com o concurso de docentes deste ano, verificamos em termos globais, essa diminuição. Não é, de facto, uma diminuição significativa, mas em todo o caso é uma diminuição. No próximo concurso de docentes, poderemos perceber se ela desaparece ou se se mantém ou, até mesmo, se aumenta. Estou convencido que se vai manter ou, até mesmo, aumentar. As razões disso podem ser várias, mas a seu tempo serão concerteza objecto de uma reflexão mais precisa.
Parece não restarem dúvidas quanto ao cansaço e à desmotivação, cada vez maiores, dos professores. Um dos erros de palmatória do Governo foi pensar que poderia implementar uma série de mudanças a seu belo prazer, pelo facto de dispor de uma maioria absoluta no Parlamento. Se as eleições legislativas fossem hoje, o PS ainda teria maioria absoluta? É minha convicção que não e, aliás, a última sondagem do Diário Económico indicou precisamente isso. Mas mais do que pensar que poderia implementar essa série de mudanças, a seu belo prazer, o erro de palmatória reside no facto de o Governo pensar que poderia fazer toda uma mudança na educação, castigando os professores com um Estatuto da Carreira Docente profundamente injusto e com uma avaliação de desempenho também ela injusta! Acresce a isto o grave facto de a senhora Ministra da Educação não ter perfil democrático e demonstrações de ausência desse perfil é coisa que não lhe falta!
O discurso do Governo, no âmbito da Educação, em matéria de rigor e exigência é falso e hipócrita, a vários níveis! No que diz respeito aos professores, estes estão atolados numa burocracia sem fim que lhes consome imenso tempo, não lhes sobrando o tempo adequado, para com a necessária tranquilidade, prepararem as suas aulas! Por outro lado, são castigados por uma avaliação cuja filosofia é inegavelmente punitiva e visa travar ao máximo a progressão na carreira, única e exclusivamente devido a critérios de puro economicismo. Os professores andam muito cansados, desmotivados e sem tempo, dizem alunos e encarregados de educação, até em espaços de informação pública. No que diz respeito aos alunos, está-se a enveredar por um facilitismo cada vez maior e verdadeiramente escandaloso, cujo objectivo é fazer brilhar as estatísticas, mas sacrificando o conhecimento, a exigência, o rigor! Que jovens estamos a formar e como vai ser, mais tarde, o primeiro embate deles com o mercado de trabalho? Esta é outra das questões com as quais o Governo deve ser seriamente confrontado! Mas o Governo parece estar mais preocupado em distribuir computadores, fazendo uma imensa campanha de propaganda junto das crianças e encarregados de educação!
Nas doses maciças de propaganda, o Governo vangloria-se, por exemplo, de ter introduzido o Inglês no primeiro ciclo. Concerteza que ninguém de bom senso vai negar que essa introdução seja boa em si mesma. Mas o que o Governo não diz é que introduziu o Inglês, no primeiro ciclo, apenas como actividade de enriquecimento curricular, dada por professores miseravelmente pagos a recibos verdes!
Será possível exigência e rigor na educação, criando-se um nível de cansaço e de desmotivação, nunca antes vistos, nos professores? Concerteza que não!
É chegada a hora de uma profunda reflexão e da construção de novos caminhos muito diferentes dos do actual Governo, porque esse começa já a fazer parte do passado, ainda que esteja em funções!
 
Nota: link para a notícia do JN[e Reacção de Valter Lemos]
 
Contributo enviado por: Pedro Miguel Almeida


publicado por GP/PSD às 14:50 | link do post | comentar

3 comentários:
De Pedro Miguel Almeida a 8 de Outubro de 2008 às 17:46
Perante a notícia do JN, o senhor Secretário de Estado da Educação - Valter Lemos - (o mesmo que acusou os professores de serem faltosos e depois viu-se envolvido num escândalo de faltas injustificadas que supostamente deu), veio dizer ser ilegítima qualquer associação entre o aumento de aposentações e a desmotivação dos professores!!! E mais, veio dizer que os resultados escolares melhoraram muito e isso deve-se aos professores!!! Que dizer das palavras deste homem que, até agora, não revelou - bem pelo contrário! - estar à altura do lugar que ocupa? Nada mais do que isto: estamos perante um discurso mentiroso!!!! Quem está no terreno e quem recebe imensos testemunhos de quem está no terreno, sabe como o discurso de Valter Lemos é mentiroso!!! Os resultados escolares melhoraram, diz ele! Pois! E à custa de quê??? Nunca pensei que um Governo do PS descesse tão baixo!!!


De Pedro Miguel Almeida a 8 de Outubro de 2008 às 18:11
As declarações de Valter Lemos poderão ser vistas através do seguinte link:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1345317&idCanal=58


De ana s. a 8 de Outubro de 2008 às 18:20
O Sr. Secretário de Estado não deve conhecer a realidade que se está a viver nas escolas.
Os professores, no início do ano, já estão exaustos e quase todos aqueles que estão em condições de se reformar (mesmo com grandes penalizações) estão a fazê-lo. Ninguém consegue suportar isto por muito mais tempo. O ensino vai reflectir negativamente esta situação.
Entre outros motivos, os professores têm sido achincalhados publicamente, o seu horário tem aumentado drasticamente numa profissão que provoca um enorme desgaste psicológico, a perspectiva de continuar até aos 65 anos (sofrendo penalizações na reforma) revela-se inadmissível. Os professores estão fartos!
Muitos dos que não se reformam ainda não o fazem por terem filhos a estudar ou compromissos financeiros que os obrigam a manter-se no ensino.
Concluo dizendo que se fosse possível também eu me ia embora!


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