Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

No início de cada ano lectivo criam-se expectativas, definem-se objectivos, antecipam-se resultados, preparam-se aulas, reencontram-se velhos e fazem-se novos amigos.

Politicamente é também uma altura de análise retrospectiva e prospectiva.
À oposição cabe chamar a atenção para o que não parece ter corrido bem e merecerá, por isso, correcção e acompanhamento cuidado e, mais importante, cabe-lhe apresentar propostas para inovação e melhoria.
Cinco aspectos merecem atenção redobrada em 2008/2009.
1 – A Avaliação dos Professores. Propugne-se por um processo participado e auditado e, sobretudo, gerador de melhorias de desempenho auditáveis e públicas. Melhore-se…
2 – O Ensino Artístico Especializado. Não se limite a actividade dos Conservatórios nem a formação de músicos profissionais e não profissionais – agentes culturais no futuro (por exemplo, os que frequentam o regime supletivo dos Conservatórios). Pare-se ou não se avance…
3 - Transferência de Competências para as Autarquias. Permita-se que a Educação seja um factor diferenciador de um território e da sua gestão, e logo creditem-se mais competências às autarquias e estimule-se a diferenciação na gestão das Escolas. Descentralize-se mais…
4 – RJIES e os novos Estatutos das Instituições de Ensino Superior. As instituições adaptaram-se, alteraram os estatutos respectivos e este ano será o primeiro duma nova era que, em nossa opinião, continua a pecar pela pouca autonomia que o Estado Central consagra ao Ensino Superior. Aguardemos por melhorias…
5 – Financiamento para o Funcionamento do Ensino Superior. O Governo irá transferir mais verbas para o Ensino Superior, também para funcionamento corrente, o que depois de anos de cortes consecutivos alivia a situação e melhora as condições para uma implementação efectiva da “Reforma de Bolonha” e do supracitado RJIES. Saúde-se!
Em igual número, as propostas para o ano lectivo que se inicia:
1 - Criar uma agência de avaliação externa da Educação não-superior (cf. nosso artigo de opinião publicado no DN, a 22.03.2008);
2 – Promover uma política de família em estreita associação com a política de educação, capacitando as famílias portuguesas e apoiando-as para uma intervenção mais directa na gestão das escolas e igualmente na definição de grandes linhas orientadoras do sistema de Educação;
3 - Constituir fundo próprio, retirado do OE, para incentivo à mobilidade estudantil internacional no ensino superior. Há que disseminar as experiências de internacionalização dos estudantes e não torná-las um factor mais de distinção;
4 – Criar e apoiar (financiar) a nível nacional, e disseminar um programa mínimo pelos vários cursos do 1º Ciclo do Ensino Superior, com carácter obrigatório, de formação em empreendedorismo, com a participação de empresas e de quadros de empresas;
5 – Criar e apoiar (co-financiar) de forma clara a constituição de uma formação de 2º ciclo do ensino superior em empreendedorismo e risco e motivar que cada instituição de ensino superior tenha pelo menos uma oferta transversal (aberta a todas as formações) nesta área e uma política clara de incubação empresarial.
Avaliar, capacitar, internacionalizar, empreender e arriscar.
Cinco ideias-força para o sistema de Educação, para que estabeleça interfaces que o revigorem.
Politicamente, o final deste ano lectivo e o início do próximo coincidem com eleições legislativas. Este é um ano para melhorar. Ou não.

 

José Manuel Canavarro
Pró-reitor da Universidade de Coimbra

 


Temas:

publicado por GP/PSD às 16:38 | link do post | comentar

3 comentários:
De olhodeagua a 5 de Outubro de 2008 às 02:39
As reformas vão no bom sentido, mas são necessárias ainda estas reformas:
1 - A Avaliação de Desempenho dos psicólogos e técnicos de Serviço Social, dos Serviços de Psicologia e Orientação, não pode continuar a estar agregada ao restante pessoal não-docente (técnicos, pessoal administrativo), tal como reconheceu a DGAEP num parecer enviado ao ME. A Senhora Ministra defende a avaliação realizada por pares para os docentes, mas depois não generaliza o principio! A lei actual de avaliação de desempenho esqueceu-se inclusive da participação do coordenador do Serviço neste processo! O ME criou um Comissão Científica e outra de acompanhamento da avaliação docente mas eu pergunto: - Qual é a percentagem de psicólogos dos SPO's com a classificação de excelente? Quantos psicólogos tiveram
2 - A Transferência de Competências para as Autarquias esqueceu-se de corrigir previamente as disparidades existentes entre as carreira da AP . Há psicólogos com mais de 24 anos de serviço, que ainda são só psicólogos de 1ª classe, quando já deveriam ser assessores. A omissão da abertura de concurso de progressão na carreira para os psicólogos é uma injustiça comparativa, visto que têm-se realizado esses concursos noutros serviços e Ministérios. A descentralização esqueceu-se dos psicólogos, pois desde 2000 que não há concurso de mobilidade geográfica o que os impede de aproximarem-se de casa. A rigidez legal dos quadros de vinculação regional impede as famílias de reunirem-se. Todavia essa mobilidade é permitida noutras carreiras, designadamente na carreira docente, a qual agora é de de 3 em 3 anos!
3 - Se os docente podem adquirir computadores por 150€ ao abrigo do plano tecnológico, porque é que os psicólogos que trabalham nas Escolas com os mesmos alunos não podem?
4 - Se o IEFP pode ter meios de diagnóstico psicológico computorizado para avaliar os formandos dos Cursos de Aprendizagem, porque é que os Serviços de Psicologia e Orientação das Escolas não os têm para avaliar os alunos dos Cursos Profissionais?
5- Se os docentes têm acesso à formação nos Centros de Formação porque é que os psicólogos e técnicos de Serviço Social não a têm. E parcerias com as Universidades em Investigação psicológica?


De David a 6 de Outubro de 2008 às 00:11
Pois é. Este comentário tem muita razão.
Queria desde já alertar para o facto de no presente, os Psicólogos serem recrutados para as escolas na carreira docente com um Pseudo-Grupo disciplinar que se chama S/G Desenvolvimento de Projectos. Foi um passo positivo na medida em que permitiu que os Psicoólogos aumentassem nas escolas, mas ainda existem constrangimentos e mt grandes.
1 - Tem que se fazer 35 Horas directas nas escolas, quando nenhum docente o faz, apesar de sermos recrutados como tal;
2 - Nao temos progressão alguma na carreira, ou seja, somos eternamente pagos como docentes em período probatório, que corresponde ao indice 126 (cerca de 980Euros), enquanto que os docentes após 365 dias de serviço progridem para o indice 151 (cerca de 1250Euros);
3 - E outras tantas injustiças como por exemplo o meu caso com 2 Agrupamentos de Escolas que totalizam cerca de 2700alunos... E 2Unidades de Apoio Especializado com 7Multideficientes e 7 Autistas...

Enfim, está na altura de algo mudar....


De Manuel a 7 de Outubro de 2008 às 13:49
"Os professores, não devem ser uma excepção ao que se passa na administração pública. Aliás, penso que este novo estatuto da carreira docente é francamente mais vantajoso do que o estatuto dos funcionários públicos em geral, seja qual for a carreira. Não estão dependentes de cabimentação orçamental para progredir, não dependem do parecer das chefias para receber uma determinada remuneração, têm a possibilidade de ser avaliados pelo órgão de direcção da escola, mas também pela coordenação disciplinar, pelos pares mais seniores, o que garante que, dada a complexidade da função docente, sejam consideradas todas a suas dimensões " Maria de Lurdes Rodrigues em Entrevista ao Jornal de Letras, n.º 991, de 24 de Setembro 2008, Suplemento Educação, p.3 .


Comentar post

Temas

100% aprovações

apresentações

avaliação das escolas

avaliação: notas dos alunos

clipping

contributos

custos com retenções

debate

declaração

estatuto do aluno

facilidade dos exames

facilitismo

fim do exame de filosofia

opinião

perguntas

provas globais

rankings

resultados sem comparabilidade

todas as tags

Posts recentes

Pedro Duarte interpela a ...

Escolas estão a aplicar d...

PSD pede apreciação parla...

Ministra no Parlamento se...

Ministra da Educação diz ...

Ministério afirma que sem...

Ministério não considerou...

PSD confrontada Ministra ...

arquivos

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

links