Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

Emídio Guerreiro, deputado do Partido Social Democrata e membro da Comissão Parlamentar de Educação e Ciência, faz um retrato crítico sobre a Educação em Portugal, apontando responsabilidades ao Ministério da Educação pelo país “ficar adiado”.


A Educação entrou em força na agenda mediática. Recolhem-se opiniões de todos os quadrantes políticos e de figuras destacadas de áreas distintas. Na discussão sobre o estado do sistema educativo português há espaço para todos.
As reformas empreendidas pelo Ministério da Educação (ME), sob a liderança da ministra Maria de Lurdes Rodrigues, são vistas à lupa, nas escolas e fora delas. Emídio Guerreiro vê-as como membro de uma Comissão que “tem promovido vários debates e esgrimido muitos argumentos”. Os membros do Governo têm de prestar esclarecimentos pelo menos quatro vezes por ano à Comissão. A ministra da Educação já foi chamada três vezes. A dificuldade em dialogar, diz o deputado, não é exclusiva dos sindicatos. Mas algumas discussões são inevitáveis. Sobretudo quando implicam alterações profundas.
Com formação na área dos Recursos Humanos, Emídio Guerreiro sabe bem que todas as organizações são resistentes à mudança.
“Mas em três anos [de governação] nunca houve a tentativa de fazer dos próprios professores agentes da mudança nas escolas.” Outra estratégia seria mais rápida e teria melhores resultados, garante.

 

Avaliação
Vejam-se algumas das medidas mais contestadas pelos professores. O modelo de avaliação. “Coordenadores avaliam os seus subordinados e o conselho executivo avalia os coordenadores, numa sucessão de várias tarefas que vão criar grande entropia nas escolas porque cada avaliador vai ter de assistir a cinco aulas do avaliado”, resume Emídio Guerreiro que assim prevê o “prejuízo da actividade docente do professor coordenador”. O modelo, diz, “não garante a transparência”. Para tal “a avaliação não devia ser feita por pares mas externamente, como acontece em países com modelos de avaliação consolidados e sistemas de ensino com melhores indicadores que os portugueses”. Uma avaliação externa que, na opinião de Emídio Guerreiro, podia ser realizada pelas Direcções Regionais de Educação. No entanto, esta é apenas uma sugestão.


Abandono
Por cá, dizem os indicadores dos relatórios internacionais, há um grande problema chamado abandono escolar. Para Emídio Guerreiro, trata-se ainda de uma questão de mentalidade. Por isso, insiste na necessidade de incutir nos jovens a importância de permanecer na escola, logo desde o 1º ciclo. E assim, evitar a tentação de ingressar no mercado de trabalho aos 15 anos só porque alguém alheio à escola diz que é a melhor opção para garantir um emprego. Convencer os jovens a continuar os estudos implica não dar “sinais errados” aos alunos cumpridores dos seus deveres. Entre eles, o da assiduidade. Mas não foi isso que o ME fez ao aprovar o novo Estatuto do Aluno, critica Emídio Guerreiro. “Não tenho dúvidas que, daqui a dois anos, o próximo relatório do PISA diga que Portugal deu um salto brutal porque a taxa de abandono formal vai reduzir-se drasticamente pela aplicação do Estatuto do Aluno que diz que o aluno nunca pode ser expulso da escola.” Contra esta situação, o deputado insiste: “A mensagem a transmitir aos jovens deve ser a de que o facilitismo não é o caminho e que o rigor é fundamental”.
No que toca aos adultos, o entrevistado vê o Novas Oportunidades como um “programa muito interessante”, mas ao qual faltou desde o início um instrumento de avaliação para “dar credibilidade ao sistema”.
Mais credibilidade, menos acções de marketing político. Esta é uma das leituras que Emídio Guerreiro faz do mediático Plano Tecnológico, que tem dotado as escolas de equipamentos informáticos. “O grande papel do ME deve ser o de zelar pelos conteúdos que são transmitidos”, seja através dos manuais ou outros recursos interactivos educativos. “Deve-se privilegiar a qualidade do serviço público de educação”, aconselha o deputado que lamenta ver o ME mais preocupado com “os números”.

 

Gestão
Mais polémico surge o debate sobre o modelo de gestão de escolas. Emídio Guerreio acredita que a proposta se pode revelar um ganho “enorme” na eficiência da gestão dos estabelecimentos de ensino. E questiona: “O que distingue um colégio privado de uma escola pública? É o facto de na primeira os pais saberem bem quem é o director.” Daí, conclui que na escola, tal como numa organização “tem de haver uma liderança livre de espartilhos”, com objectivos definidos e alguém que se responsabilize por eles. À proposta ministerial assente nos princípios da liderança forte, reforço da autonomia e abertura ao exterior, Emídio Guerreiro acrescentaria apenas o da liberdade de escolha das famílias em relação às escolas a frequentar pelos seus filhos. Se a “nova escola” se orientasse por estes quatro princípios “teria muito a ganhar e nem estaríamos a inventar nada que já não existisse”, refere Emídio Guerreiro. Porém, reflecte o entrevistado, a verdade é que neste momento o ME “abriu a caixa de Pandora” e enquanto nenhuma destas questões se resolve “é um país que fica adiado”.

Entrevista do Dep. Emídio Guerreiro, com Andreia Lobo/ Revista 2 Pontos.


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