Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

A Assembleia da República vai debater a Educação, no próximo dia 9 de Outubro.

O debate, requerido pelo Grupo Parlamentar do PSD, incidirá sobre a “Exigência e Qualidade no Ensino”.
Assistimos, nos últimos anos, a um conjunto de práticas adoptadas pelo Governo, que conduzem à degradação da exigência e da qualidade do ensino.
A exigência é uma condição sine qua non para uma verdadeira igualdade de oportunidades. É mesmo um pressuposto indispensável da correcção das assimetrias de origem entre os alunos portugueses (que vão da condição económica-social ao ambiente cultural das respectivas famílias).  Ao contrário de um preconceito muito divulgado, a exigência e a profundidade do ensino são o primeiro requisito da chamada "escola inclusiva". O laxismo e o facilitismo não são apenas factores de atraso no desenvolvimento global do país; são responsáveis directos pela exclusão dos alunos mais desfavorecidos sócio-culturalmente.
Por considerar que a exigência e a qualidade têm sido sistematicamente os parentes pobres das políticas educativas deste Governo e por considerar que a Educação e, em particular, o capítulo da “Exigência e Qualidade no Ensino” é uma matéria essencial que diz respeito a toda a comunidade (alunos, professores, pais, famílias, empresas e trabalhadores), o PSD inicia o seu debate num modelo inédito, chamando a sociedade a reflectir sobre o tema que os deputados levarão ao Plenário da Assembleia da República, no próximo dia 9 de Outubro.
Assim, inaugura-se este espaço na blogosfera, visando recolher opiniões, contributos ou testemunhos de todos os que queiram aqui reflectir sobre a importância da “exigência e qualidade do ensino”.
O debate político, numa democracia moderna, não conhece fronteiras partidárias, ideológicas, ou de qualquer outra ordem. O PSD entende que também esta discussão não deve ficar contida intra-muros.
O debate, agora, faz-se também aqui.

 

Participe.

 

O Grupo Parlamentar do PSD



publicado por GP/PSD às 15:00 | link do post | comentar

2 comentários:
De António Lira Fernandes a 2 de Outubro de 2008 às 02:25
Relativamente ao ensino em Portugal gostava de deixar algumas ideias para reflexão.

1. Como é possível desenhar um currículo para o secundário sem incluir uma disciplina de informática? É claro que a "distribuição" de computadores vai possibilitar que a geração de alunos actual vais saber muito mais de informática do que a geração dos ministros. Mas será que essa auto-aprendizagem vai dar os resultados esperados? Aprender sem moderador e igual a aprender com moderador? Qualquer dia retira-se o Português do secundário porque se estão a distribuir livros?

2. A distribuição de computadores financiada em parte pelo estado representa que esforço para os portugueses? Quais as contrapartidas das operadores? Que impacto tem essa perversão de mercado para as firmas que comercializam equipamentos informáticos. O "Magalhães" é vendido pelas operadoras a cerca de 1/5 do preço de compra na fábrica. Quem suporta o resto? Nós pagamos e o Sr. Sócrates distribui?

3. A Parque Escolar promete fazer obras nas escola e transformar o velho em novo. Com que custos e montado em que engenharia financeira pode ser isto feito. Foi realizado algum estudo económico para suportar as opções? Em Viana do Castelo a ES de Monserrate vai usufruir dessa intervenção. O projecto que nos é apresentado torna a escola num espaço fantástico, mas ocupa toda a área disponível, levando ao limite a taxa de ocupação do solo. A escola está situada no cento da cidade e diariamente há um fluxo enorme de alunos, professores e funcionários para chegarem à escola. Não fazia mais sentido que esse terreno fosse vendido e fosse adquirido um novo mais amplo localizado na periferia da cidade com acesso fácil permitindo a construção de uma escola de raiz?

4. A avaliação dos docentes e as carreiras. O concurso para professor titular foi uma verdadeira brincadeira de mau gosto. Muitos dos professores não se revêem na hierarquia porque ela é completamente fictícia. Aceito que a experiência é importante. Mas a experiência que foi avaliada foi baseada no número de anos de docência, e o resto? então a experiência em modalidades de ensino diversificas? e a experiência em tecnologia? e a experiência em práticas inovadores?
Serei avaliado por alguém que ainda não sei quem será, mas que não será do meu grupo de docência, que saberá menos que eu da didáctica da disciplina, da utilização de plataformas de e-Learning e das matérias que lecciono. Naturalmente serei avaliado pela papelada que for capaz de produzir.

5. O horário de permanência nas escola. Desde sempre que defendo que a profissão de professor não se compadece com horários rígidos. É quando temos sessões presenciais, quanto ao resto temos de ter flexibilidade que permita gerir a nossa cadencia criativa, as necessidades dos alunos e as solicitações da escola. Isto é o que eu penso, mas desafio quem pensa o contrário a implementar "relógios de ponto" nas escola e depois somos empregado fabris que trabalhos 7/8 horas por dia e depois do apito desligamos e vamos para casa. Não há essa possibilidade no ensino.

6. A introdução em "banda larga" do ensino profissional nas escola secundárias prepara-se para voltar a liquidar esse sistema de ensino. O PS volta sempre ao mesmo... O envolvimento de tantos professores numa modalidade (ensino modular) que não conhecem conduz à adulteração de vários princípios fundamentais nessa forma de aprender. Transporta-se a realidade do ensino regular, carregando a tónica no ensino livresco para os vários domínios, tornando as abordagens nada motivadoras para o perfil de aluno mais prático que é o candidato por excelência. Responde-se exigindo "quase nada" para que se promova o sucesso que todos os alunos tem direito. Os professores dão "aulas práticas" em disciplinas que só conhecem na teoria. Pergunto se esta alteração não deveria ser acompanhada por muitas horas de formação, não exigia que os professores fossem para o terreno ver o que se espera de um técnico profissional? As empresas que vão recebendo estagiários vão percebendo que o que se faz não é suficiente e só serve para as fantásticas estatísticas da Dona Lurdes.


De professoresasfixiados a 4 de Outubro de 2008 às 16:29
A quase totalidade das formações superiores em Portugal, ao dispor dos futuros professores, são direccionadas para o ensino. Significa que aqueles que optam por esta via querem e podem ser professores. Estes candidatos a docentes têm uma formação específica de pelo menos três anos numa universidade e, se terminada com sucesso em todas as áreas, terão em seguida, mais dois anos de formação. O primeiro ano é sobretudo de cariz científico e pedagógico e, naturalmente, sujeito a avaliação. No segundo ano o licenciado é colocado numa escola com todas as responsabilidades inerentes à profissão. Esse trabalho é orientado e avaliado por dois ou quatro orientadores, divididos entre duas entidades, a escola e a universidade.
Terminado esse ciclo, o licenciado terá uma formação especializada em pedagogia e didáctica, exclusivamente para a docência, que lhe confere o grau académico de “Mestre”.
De acordo com o novo Estatuto, estes cidadãos qualificados irão ser sujeitos a duas ou três provas de avaliação de conhecimentos e competências. Ultrapassada essa aberração, e caso tenha tenham a felicidade de entrar nos quadros através de concurso promovido para o efeito, existe ainda um período probatório de um ano, e se não obtiverem pelo menos a menção de “Bom”, não terão lugar no quadro; se tiverem “insuficiente” serão exonerados e impedidos de trabalhar na docência durante dois anos. A tudo isto acresce ainda a avaliação contínua e de desempenho até terminus das suas carreiras;
É desumano exigir aos professores contratados, que num espaço de tempo extremamente reduzido, realizem as exigentes e burocráticas diligências necessárias para a obtenção de uma avaliação de desempenho com menção igual ou superior a “Bom”, que enfrentem as adversidades inerentes a um contrato de trabalho precário, que promovam um ensino de qualidade, que leccionem com brio e profissionalismo, que realizem as tarefas de avaliação dos alunos e finalmente, como se não bastasse, que se preparem para a obtenção de pelo menos 14 valores em cada uma das componentes da prova de ingresso.


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