Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008

Ao longo dos últimos três anos, a área da educação tem sido seguramente aquela que mais tem sofrido com as tropelias do Partido Socialista e dos seus dirigentes e governantes.
Com efeito, e ao invés do que (auto)proclamam o Senhor Primeiro-Ministro e a Senhora Ministra da Educação, aniquilou-se o que havia de bom e positivo na escola pública e deitaram-se abaixo práticas pedagógicas que - não sendo obviamente perfeitas e ideais - eram melhores, mais fiáveis e mais respeitadas e respeitáveis do que aquelas a que somos sujeitos e com as quais somos obrigados vivemos hoje em dia.
Com efeito, enquanto professor (que trabalha no Ensino Particular e Cooperativo, esclareça-se), preocupa-me tudo o que foi feito para degradar a educação no nosso país, mas preocupam-me sobretudo alguns aspectos relativos ao sistema de ensino.
 

Um deles é, sem dúvida, o facilitismo a que se tem assistido nos últimos anos e a correlacionada fobia pelas estatísticas. A educação passou a ser um número e à 5 de Outubro só interessam resultados. Deixaram de ser importantes as aprendizagens propriamente ditas - já nada interessa se um aluno sabe ou não sabe os conteúdos, se adquiriu ou não as competências, ... - e valorizam-se apenas os resultados.
Para isso, contribuíram algumas medidas emblemáticas deste (des)governo, como o final das provas globais obrigatórias no 9º ano, a tolerância de ponto introduzida nos exames do Ensino Básico em 2007/2008 (mais tempo para aumentar o sucesso, já que nos foi dito que a extensão das provas não seria alterada), o grau de exigência e dificuldade dos Exames do Ensino Básico e Secundário do último ano lectivo e, por último, as alterações introduzidas no estatuto do aluno dos Ensinos Básico e Secundário. A esta lista de medidas poder-se-iam juntar muitas mais que, em conjunto, aniquilaram por completo o nosso sistema educativo.
Mas, afinal de contas, nada se estranha, já que o pensamento ideológico da nossa Ministra foi expresso publicamente há poucos dias: o objectivo é que o sucesso no 9º ano seja de 100% dentro de pouco tempo. Obviamente, que, para isso, não se conta com uma melhoria das aprendizagens, mas antes com uma benevolência dos professores e da sua avaliação.
Por outro lado, preocupa-me a falência das escolas profissionais privadas. Com a introdução de cursos profissionais nas escolas públicas, as escolas privadas quase deixam de fazer sentido. Aliás, pelo que já fui informado, essas escolas nem entram para as estatísticas do programa Novas Oportunidades, nem aparecem no seu site Internet.
Enfim... Exige-se cada vez mais dos professores e nada é exigível aos alunos. Se um aluno passa, é mérito seu, se um aluno tem dificuldades é porque o professor não o motiva, se um aluno reprova (nas poucas vezes em que isso ainda é possível!) a responsabilidade é do professor.
 

 
Contributo enviado por: Carlos Pereira



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